"Quanto custa fazer um app?" é a primeira pergunta de quase toda conversa que a gente tem. A resposta honesta é: depende. Não é evasiva, é literal. E existe um jeito de sair do "depende" que não é chutar um número.

Este texto faz três coisas. Mostra as faixas que as próprias software houses brasileiras publicam, explica o que empurra o orçamento pra cima e pra baixo, e te dá o que perguntar pra não descobrir o preço real no meio do projeto.

A resposta curta

A nFactory e a Growdev, duas software houses brasileiras, publicam faixas entre R$ 30.000 e R$ 90.000 para um MVP ou app simples, entre R$ 80.000 e R$ 300.000 para sistema de porte médio, e acima de R$ 200.000 para projeto complexo (dado consultado em junho de 2026). Essas faixas descrevem um projeto imaginário: o preço real depende do escopo, da quantidade de exceções do seu processo e de quantas integrações entram.

O que encarece não é a tela bonita. É escopo indefinido, exceção de regra, integração com terceiro e a necessidade de o software decidir sozinho. E existe uma conta recorrente que quase nenhuma proposta menciona: manutenção, estimada em torno de 15% a 20% do valor do projeto por ano.

O que o mercado publica

Duas empresas brasileiras que aparecem na primeira página do Google pra essa busca publicam tabela aberta (dado consultado em junho de 2026). Vale olhar as duas juntas.

Faixa nFactory Growdev
MVP / app simples R$ 40.000 a R$ 90.000 R$ 30.000 a R$ 80.000 (2 a 4 meses)
Sistema ou app médio R$ 100.000 a R$ 300.000 (15 a 40 telas) R$ 80.000 a R$ 200.000 (5 a 8 meses)
Complexo, fintech, escala SaaS a partir de R$ 60.000, app mobile até R$ 120.000 ou mais R$ 200.000 a R$ 500.000 ou mais (9 a 14 meses)

Duas coisas saltam dessa tabela.

A primeira é a largura das faixas. "MVP entre R$ 30.000 e R$ 90.000" é um intervalo de três vezes. Isso não é falta de rigor da empresa que publicou. É a realidade: dois apps que parecem iguais na descrição podem ter esforço radicalmente diferente.

A segunda é mais interessante. Na mesma página em que publica a tabela de MVP entre R$ 40.000 e R$ 90.000, a nFactory diz que o MVP dela começa em R$ 10.000 (dado consultado em junho de 2026). Não é contradição por má-fé. É o sintoma de que essas tabelas descrevem um projeto imaginário, e o preço que a empresa realmente pratica depende do que aparece na porta.

Guarde isso: tabela de preço de app é chute com cara de pesquisa. Ela serve pra você calibrar a ordem de grandeza, não pra você planejar caixa.

Quatro tipos de app, quatro contas diferentes

Antes de olhar faixa, vale saber em qual categoria a sua ideia cai. A distância entre a primeira e a quarta é enorme, e quase todo orçamento errado nasce de misturar duas delas na mesma frase.

Vitrine. Mostra conteúdo, catálogo ou informação. Ninguém faz login, nada é salvo. É o mais barato de todos e boa parte do que as pessoas chamam de "app" é isso, resolvido melhor por um site que funciona bem no celular.

Com conta e dado. A pessoa entra, registra coisas, e o que ela registrou fica salvo e é só dela. Aqui entram login, banco de dados, permissão e backup. É o salto de preço mais brusco da lista, e é onde a maioria dos projetos mora.

De dois lados. Marketplace, agendamento com prestador, qualquer coisa em que dois tipos de usuário se encontram. O trabalho não dobra, mais que dobra: são dois produtos, mais as regras do encontro, mais pagamento no meio.

Que decide sozinho. Aprova, precifica, classifica, cobra. Além de construir a decisão, alguém precisa provar que ela está certa e ter como auditar quando reclamarem. É o tipo em que projeto com IA costuma dobrar de orçamento, e por bons motivos.

O que realmente pesa no orçamento

O que encarece um app quase nunca é a parte que o cliente acha que encarece. Ninguém cobra por tela bonita. Cobra-se por incerteza e por regra.

Escopo indefinido. É o item mais caro da lista, disparado. Quando ninguém sabe direito o que o app precisa fazer, o projeto vira retrabalho contínuo, e retrabalho é hora paga duas vezes. Clareza é o maior desconto que existe, e ela é de graça.

Exceções. Um fluxo com dez telas e regra clara custa menos que um fluxo com três telas e vinte exceções que só o gerente conhece de cabeça. "Menos quando é cliente antigo", "nesse caso o desconto é diferente", "aí a gente aprova na mão". Cada uma dessas frases é uma semana.

Integrações com terceiros. Pagamento, banco, ERP, marketplace, sistema legado. Cada conexão externa traz documentação incompleta, ambiente de teste que não reflete a produção e comportamento que só aparece com dado real. É a parte do projeto que mais atrasa, sempre.

Tempo real e escala. Chat ao vivo, notificação instantânea, milhares de pessoas ao mesmo tempo. Isso muda a arquitetura inteira, não é uma funcionalidade a mais.

Duas plataformas nativas. Web, iOS e Android nativos ao mesmo tempo multiplicam esforço de construção, de teste e de publicação. Boa parte dos projetos que pedem isso no dia um resolveria melhor com web bem feita no celular.

Quem confere o resultado. Se o app decide algo importante sozinho, alguém precisa garantir que ele decide certo. Verificação, teste e trilha de auditoria são trabalho de verdade, e é onde o orçamento de projeto com IA costuma dobrar.

O que barateia

Começar por um MVP. Provar a ideia com o essencial antes de investir no completo. Não é versão capenga, é a menor coisa que responde a pergunta que importa. Escrevemos sobre o que cortar e o que manter num MVP.

Usar plataforma pronta pro que é commodity. Autenticação, banco de dados, envio de e-mail e hospedagem gerenciados. Reescrever isso na mão é queimar semanas pra reinventar o que já existe e funciona melhor.

Decidir rápido. Cada semana esperando aprovação é uma semana de custo. Não do fornecedor: sua.

Cortar o que ninguém vai usar. Painel completo de administração, exportação em cinco formatos, configuração infinita. Volta depois, se o uso pedir.

Por que dois orçamentos pro mesmo app vêm com R$ 40 mil de diferença

Você manda o mesmo texto pra três fornecedores e volta com números que não conversam. Normalmente não é desonestidade. É que cada um preencheu os buracos do seu pedido de um jeito.

O barato quase sempre assumiu: sem painel de administração, sem ambiente de teste separado, sem migração de dado, sem tratamento dos casos raros, e com você validando tudo. O caro assumiu o contrário.

O jeito de comparar é obrigar todo mundo a preencher a mesma lista. Peça, por escrito, para cada fornecedor: quais telas estão incluídas, quais integrações, quem faz o teste, existe ambiente de homologação, o que acontece com dado antigo, e o que está fora. Aí sim os números viram comparáveis. Sem isso, você está comparando três projetos diferentes com o mesmo nome.

Os custos que não são do fornecedor

Existe uma parte da conta que não aparece em proposta nenhuma porque não é do fornecedor. Ela é sua, e é bom saber antes.

  • Servidor e banco. Pode ser barato no começo e cresce com o uso.
  • Domínio e certificado. Baixo, mas anual e fácil de esquecer até o site cair.
  • API de terceiro. Pagamento, envio de mensagem, mapa, modelo de IA. Variável, conforme o uso.
  • Loja de aplicativo. Se for publicar nativo, existem taxas anuais de conta de desenvolvedor.
  • O seu tempo. Alguém da sua empresa vai responder dúvida, testar e decidir. Projeto sem essa pessoa disponível atrasa, sempre, e o atraso custa nos dois lados.

A conta que quase ninguém coloca no papel

Software não é compra, é assinatura disfarçada. Ele precisa de correção, de atualização de dependência, de servidor e de alguém olhando quando quebra.

A Growdev estima manutenção anual entre 15% e 20% do valor do projeto (dado consultado em junho de 2026). É uma estimativa de mercado, não uma lei, mas a ordem de grandeza bate com o que a gente vê. Um projeto de R$ 60.000 carrega algo perto de R$ 10.000 por ano só pra continuar existindo.

Se a proposta que você recebeu não fala de manutenção, ela não é mais barata. Ela só está incompleta, e a conversa sobre isso vai acontecer no pior momento possível: com o projeto entregue e você achando que já pagou por tudo.

Como a gente cobra

Na Mutagex, o valor é definido depois de uma conversa sobre o caso, que é gratuita. O que dá pra dizer antes dela é o prazo típico de cada linha:

Linha Prazo típico
Diagnóstico 1 semana
Automação pontual 2 a 3 semanas
Automação completa ou agente de IA 4 a 8 semanas
Software sob medida 8 a 16 semanas
Operação e manutenção mensal

O diagnóstico inicial é gratuito. Ele é curto, é uma conversa de uns 15 minutos mais um documento, e termina com escopo e faixa de valor por escrito. Esse documento é seu mesmo que você não feche com a gente. Dá pra levar ele em outro fornecedor e comparar laranja com laranja, que é a única forma de comparar orçamento de software.

A mensalidade de operação vai na mesma proposta do projeto, com valor e mês de início. Não aparece depois da entrega.

Como pedir orçamento sem levar susto

Cinco perguntas que mudam a conversa. Faça todas, pra todo fornecedor.

  1. "O que NÃO está incluso?" A lista do que fica de fora é mais importante que a do que entra. Fornecedor que não tem essa lista pronta vai improvisar ela no meio do projeto.
  2. "Quanto custa por mês depois de entregue?" Se a resposta for "a gente vê depois", o preço não é o que está na proposta.
  3. "O código fica comigo?" A resposta certa é sim, com o repositório no nome da sua empresa e acesso desde o primeiro dia. Se o código fica com o fornecedor, você não comprou software, alugou.
  4. "O que acontece se eu mudar de ideia no meio?" Mudança de escopo é normal. O que precisa estar combinado é que ela vira orçamento novo, aprovado por escrito, e não uma discussão constrangida no meio do sprint.
  5. "Quem exatamente vai construir?" Vale saber se quem senta na reunião é quem escreve o código, ou se o projeto vai ser repassado.

A pergunta melhor

Não pergunte só "quanto custa". Pergunte: qual é a menor versão que prova que vale a pena investir mais?

Isso transforma um orçamento assustador em passos que cabem no seu caixa, e transfere o risco pra um lugar onde ele é barato. Descobrir que a ideia não funciona custa uma fração de descobrir a mesma coisa com o produto inteiro pronto.

Quer um número pro seu caso? Conta pra gente o que você quer construir, ou veja como funciona o desenvolvimento sob medida e o MVP de startup.