"Quanto custa fazer um app?" é a primeira pergunta de quase toda conversa que a gente tem. A resposta honesta é: depende. Não é evasiva, é literal. E existe um jeito de sair do "depende" que não é chutar um número.
Este texto faz três coisas. Mostra as faixas que as próprias software houses brasileiras publicam, explica o que empurra o orçamento pra cima e pra baixo, e te dá o que perguntar pra não descobrir o preço real no meio do projeto.
A resposta curta
As software houses brasileiras publicam faixas entre R$ 30.000 e R$ 90.000 para um MVP ou app simples, entre R$ 80.000 e R$ 300.000 para sistema de porte médio, e acima de R$ 200.000 para projeto complexo. Essas faixas descrevem um projeto imaginário: o preço real depende do escopo, da quantidade de exceções do seu processo e de quantas integrações entram.
O que encarece não é a tela bonita. É escopo indefinido, exceção de regra, integração com terceiro e a necessidade de o software decidir sozinho. E existe uma conta recorrente que quase nenhuma proposta menciona: manutenção, estimada em torno de 15% a 20% do valor do projeto por ano.
O que o mercado publica
Duas empresas brasileiras que aparecem na primeira página do Google pra essa busca publicam tabela aberta. Vale olhar as duas juntas.
| Faixa | nFactory | Growdev |
|---|---|---|
| MVP / app simples | R$ 40.000 a R$ 90.000 | R$ 30.000 a R$ 80.000 (2 a 4 meses) |
| Sistema ou app médio | R$ 100.000 a R$ 300.000 (15 a 40 telas) | R$ 80.000 a R$ 200.000 (5 a 8 meses) |
| Complexo, fintech, escala | SaaS a partir de R$ 60.000, app mobile até R$ 120.000 ou mais | R$ 200.000 a R$ 500.000 ou mais (9 a 14 meses) |
Duas coisas saltam dessa tabela.
A primeira é a largura das faixas. "MVP entre R$ 30.000 e R$ 90.000" é um intervalo de três vezes. Isso não é falta de rigor da empresa que publicou. É a realidade: dois apps que parecem iguais na descrição podem ter esforço radicalmente diferente.
A segunda é mais interessante. Na mesma página em que publica a tabela de MVP entre R$ 40.000 e R$ 90.000, a nFactory diz que o MVP dela começa em R$ 10.000. Não é contradição por má-fé. É o sintoma de que essas tabelas descrevem um projeto imaginário, e o preço que a empresa realmente pratica depende do que aparece na porta.
Guarde isso: tabela de preço de app é chute com cara de pesquisa. Ela serve pra você calibrar a ordem de grandeza, não pra você planejar caixa.
Quatro tipos de app, quatro contas diferentes
Antes de olhar faixa, vale saber em qual categoria a sua ideia cai. A distância entre a primeira e a quarta é enorme, e quase todo orçamento errado nasce de misturar duas delas na mesma frase.
Vitrine. Mostra conteúdo, catálogo ou informação. Ninguém faz login, nada é salvo. É o mais barato de todos e boa parte do que as pessoas chamam de "app" é isso, resolvido melhor por um site que funciona bem no celular.
Com conta e dado. A pessoa entra, registra coisas, e o que ela registrou fica salvo e é só dela. Aqui entram login, banco de dados, permissão e backup. É o salto de preço mais brusco da lista, e é onde a maioria dos projetos mora.
De dois lados. Marketplace, agendamento com prestador, qualquer coisa em que dois tipos de usuário se encontram. O trabalho não dobra, mais que dobra: são dois produtos, mais as regras do encontro, mais pagamento no meio.
Que decide sozinho. Aprova, precifica, classifica, cobra. Além de construir a decisão, alguém precisa provar que ela está certa e ter como auditar quando reclamarem. É o tipo em que projeto com IA costuma dobrar de orçamento, e por bons motivos.
O que realmente pesa no orçamento
O que encarece um app quase nunca é a parte que o cliente acha que encarece. Ninguém cobra por tela bonita. Cobra-se por incerteza e por regra.
Escopo indefinido. É o item mais caro da lista, disparado. Quando ninguém sabe direito o que o app precisa fazer, o projeto vira retrabalho contínuo, e retrabalho é hora paga duas vezes. Clareza é o maior desconto que existe, e ela é de graça.
Exceções. Um fluxo com dez telas e regra clara custa menos que um fluxo com três telas e vinte exceções que só o gerente conhece de cabeça. "Menos quando é cliente antigo", "nesse caso o desconto é diferente", "aí a gente aprova na mão". Cada uma dessas frases é uma semana.
Integrações com terceiros. Pagamento, banco, ERP, marketplace, sistema legado. Cada conexão externa traz documentação incompleta, ambiente de teste que não reflete a produção e comportamento que só aparece com dado real. É a parte do projeto que mais atrasa, sempre.
Tempo real e escala. Chat ao vivo, notificação instantânea, milhares de pessoas ao mesmo tempo. Isso muda a arquitetura inteira, não é uma funcionalidade a mais.
Duas plataformas nativas. Web, iOS e Android nativos ao mesmo tempo multiplicam esforço de construção, de teste e de publicação. Boa parte dos projetos que pedem isso no dia um resolveria melhor com web bem feita no celular.
Quem confere o resultado. Se o app decide algo importante sozinho, alguém precisa garantir que ele decide certo. Verificação, teste e trilha de auditoria são trabalho de verdade, e é onde o orçamento de projeto com IA costuma dobrar.
O que barateia
Começar por um MVP. Provar a ideia com o essencial antes de investir no completo. Não é versão capenga, é a menor coisa que responde a pergunta que importa. Escrevemos sobre o que cortar e o que manter num MVP.
Usar plataforma pronta pro que é commodity. Autenticação, banco de dados, envio de e-mail e hospedagem gerenciados. Reescrever isso na mão é queimar semanas pra reinventar o que já existe e funciona melhor.
Decidir rápido. Cada semana esperando aprovação é uma semana de custo. Não do fornecedor: sua.
Cortar o que ninguém vai usar. Painel completo de administração, exportação em cinco formatos, configuração infinita. Volta depois, se o uso pedir.
Por que dois orçamentos pro mesmo app vêm com R$ 40 mil de diferença
Você manda o mesmo texto pra três fornecedores e volta com números que não conversam. Normalmente não é desonestidade. É que cada um preencheu os buracos do seu pedido de um jeito.
O barato quase sempre assumiu: sem painel de administração, sem ambiente de teste separado, sem migração de dado, sem tratamento dos casos raros, e com você validando tudo. O caro assumiu o contrário.
O jeito de comparar é obrigar todo mundo a preencher a mesma lista. Peça, por escrito, para cada fornecedor: quais telas estão incluídas, quais integrações, quem faz o teste, existe ambiente de homologação, o que acontece com dado antigo, e o que está fora. Aí sim os números viram comparáveis. Sem isso, você está comparando três projetos diferentes com o mesmo nome.
Os custos que não são do fornecedor
Existe uma parte da conta que não aparece em proposta nenhuma porque não é do fornecedor. Ela é sua, e é bom saber antes.
- Servidor e banco. Pode ser barato no começo e cresce com o uso.
- Domínio e certificado. Baixo, mas anual e fácil de esquecer até o site cair.
- API de terceiro. Pagamento, envio de mensagem, mapa, modelo de IA. Variável, conforme o uso.
- Loja de aplicativo. Se for publicar nativo, existem taxas anuais de conta de desenvolvedor.
- O seu tempo. Alguém da sua empresa vai responder dúvida, testar e decidir. Projeto sem essa pessoa disponível atrasa, sempre, e o atraso custa nos dois lados.
A conta que quase ninguém coloca no papel
Software não é compra, é assinatura disfarçada. Ele precisa de correção, de atualização de dependência, de servidor e de alguém olhando quando quebra.
A Growdev estima manutenção anual entre 15% e 20% do valor do projeto. É uma estimativa de mercado, não uma lei, mas a ordem de grandeza bate com o que a gente vê. Um projeto de R$ 60.000 carrega algo perto de R$ 10.000 por ano só pra continuar existindo.
Se a proposta que você recebeu não fala de manutenção, ela não é mais barata. Ela só está incompleta, e a conversa sobre isso vai acontecer no pior momento possível: com o projeto entregue e você achando que já pagou por tudo.
Como a gente cobra
Pra não deixar você sair daqui sem número nenhum, a nossa tabela é pública:
| Linha | Prazo típico | Investimento |
|---|---|---|
| Diagnóstico | 1 semana | gratuito |
| Automação pontual | 2 a 3 semanas | a partir de R$ 5.000 |
| Automação completa ou agente de IA | 4 a 8 semanas | R$ 12.000 a R$ 25.000 |
| Software sob medida | 8 a 16 semanas | a partir de R$ 30.000 |
| Operação e manutenção | mensal | R$ 500 a R$ 2.500 |
Todo projeto pago começa em R$ 5.000, e abaixo disso a gente não pega, porque consome as mesmas reuniões, o mesmo levantamento e o mesmo suporte de um projeto inteiro. Repare que o nosso sistema sob medida começa abaixo da faixa de MVP que as duas empresas da tabela lá em cima publicam. É posicionamento, não erro de conta.
O diagnóstico inicial é gratuito. Ele é curto, é uma conversa de uns 15 minutos mais um documento, e termina com escopo e faixa de valor por escrito. Esse documento é seu mesmo que você não feche com a gente. Dá pra levar ele em outro fornecedor e comparar laranja com laranja, que é a única forma de comparar orçamento de software.
A mensalidade de operação vai na mesma proposta do projeto, com valor e mês de início. Não aparece depois da entrega.
Como pedir orçamento sem levar susto
Cinco perguntas que mudam a conversa. Faça todas, pra todo fornecedor.
- "O que NÃO está incluso?" A lista do que fica de fora é mais importante que a do que entra. Fornecedor que não tem essa lista pronta vai improvisar ela no meio do projeto.
- "Quanto custa por mês depois de entregue?" Se a resposta for "a gente vê depois", o preço não é o que está na proposta.
- "O código fica comigo?" A resposta certa é sim, com o repositório no nome da sua empresa e acesso desde o primeiro dia. Se o código fica com o fornecedor, você não comprou software, alugou.
- "O que acontece se eu mudar de ideia no meio?" Mudança de escopo é normal. O que precisa estar combinado é que ela vira orçamento novo, aprovado por escrito, e não uma discussão constrangida no meio do sprint.
- "Quem exatamente vai construir?" Vale saber se quem senta na reunião é quem escreve o código, ou se o projeto vai ser repassado.
A pergunta melhor
Não pergunte só "quanto custa". Pergunte: qual é a menor versão que prova que vale a pena investir mais?
Isso transforma um orçamento assustador em passos que cabem no seu caixa, e transfere o risco pra um lugar onde ele é barato. Descobrir que a ideia não funciona custa uma fração de descobrir a mesma coisa com o produto inteiro pronto.
Quer um número pro seu caso? Conta pra gente o que você quer construir, ou veja como funciona o desenvolvimento sob medida e o MVP de startup.